2# - um pouco mais de pessimismo
Me sinto um fracasso. Pura e simplesmente. Um fracasso por não conseguir equilibrar meus problemas com a minha vida acadêmica, minha vida profissional, e todo o resto.
Não consigo entender cálculo numérico. Entendo o algoritmo para encontrar os valores que o professor quer de mim, mas nunca confiei em mim com regra de sinal e contas com frações; questões essas que deveriam ser uma segunda natureza para um estudante do ensino superior. Não o são. Sigo confusa com minhas atribuições no estágio, e tenho a impressão de que minhas entregas não melhoraram desde o "puxão de orelha" que recebi do meu gerente. Sei que a intenção dele não foi me deixar ainda mais ansiosa do que já estou, mas é inevitável que eu fique ainda mais autoconsciente das minhas limitações depois daquela conversa. O problema da vez é que eu não incluí o FGTS no processamento dos descontos dos funcionários, sendo que eu lembro de conversarmos sobre FGTS não estar entre os dados que eu teria que processar. Não sei por que os requisitos mudam o tempo todo. Não sei porque minhas responsabilidades aumentam o tempo todo, também, com todos esses trabalhos acadêmicos e exigências que fazem de mim. Tudo isso para pagar R$900 para ir à faculdade e ganhar R$1400 por 8 horas de reuniões em uma semana. E para quê? Para que eu tenha o mesmo destino de todas as pessoas. Não é justo.
Minha mãe me pediu dinheiro novamente. Eu tinha dito a ela que só poderia dar R$150 a cada mês, e então tive que dar R$50 para completar o dinheiro do advogado, e agora tive que dar mais R$50 para completar o que ela deve pagar à Porto Seguro. Ela segue desrespeitando o único limite que eu impus: não me estressar enquanto estou fora de casa resolvendo meus próprios assuntos. Ela me ligou 3 vezes e enviou de 6 a 7 mensagens. Mesmo quando pedi para que ela me deixasse estudar para as duas provas que teria, ela continuou insistindo como se ela fosse a maior prioridade do meu dia-a-dia. Eu não sou prioridade para ela, então por que ela seria para mim? Não sou porque em nenhum momento ela me ajuda a cuidar da cadela que ela decidiu adotar. Não sou porque em nenhum momento ela sai do quarto para conversar comigo, exceto quando precisa de dinheiro. Não sou porque ela sai de casa sem avisar para onde vai, enquanto espera que eu sempre avise quando saio. Por que ela seria prioridade para mim? Por que eu me corroeria pela pessoa que destruiu meu senso de estabilidade? Ela e meu pai são tipos diferentes de farinha, mas no fim das contas as duas estão vencidas: ele não aceita que me traumatizou, ela usa sua aceitação que destruiu minha vida como forma de se vitimizar. "Eu sei que sou uma merda de mãe, que estou te devendo até a alma, mas eu não estaria pedindo se não estivesse precisando". "Estou tão nervosa que minha visão está embaçada". É assim que ela fala sempre que ela passa dos limites que eu impus. Não sei se ela percebe que isso a torna ainda pior. E ela ainda tem a cara de pau de dizer: "mas não esquece que eu ainda sou a sua mãe, ok?". Grande mãe você é. Em momento algum cuida de mim, em momento algum faz algum sacrifício para que eu fique bem; sou sempre eu quem tem que deixar meus estudos, meu trabalho, meus eventos de lado para cuidar dela. Eu sacrifico infinitamente mais coisas por ela do que ela sacrifica por mim. Grande mãe você é. Queria ter nascido de qualquer outra mulher mais emocionalmente e financeiramente inteligente do que você. Pelo menos, esta mulher hipotética me deixaria estudar sem agir como se eu devesse minha atenção total a ela. Vamos ver se eu vou voltar para visitar quando eu tiver dinheiro para ter minha casa própria, porque meu endereço você nunca vai ter.
Não consigo terminar uma conta simples de cálculo numérico, e tenho medo de ficar de DP. Isso significaria um aumento não-planejado na mensalidade do ano que vem. Estou tentando não pensar nesse aspecto, até porque ele é inevitável, mas eu gostaria de passar nesta matéria nem que seja através de exame. A questão é que não sei se consigo fazê-lo. É uma matéria tão desgraçadamente repetitiva, e o professor nem sequer teve a compaixão de dizer quais métodos serão cobrados na prova para que eu possa focar minhas energias nos métodos certos. Eu só consegui estudar o básico de Eliminação de Gauss, Matriz Inversa e Gauss-Jacobi - e ele ainda pode vir a cobrar Gauss-Steidel, que eu ainda não tive tempo de verdadeiramente pegar um exercício para resolver. Estou cansada, deprimida, inclusive desesperada. Não recebo o bastante para sustentar as dívidas absurdas de minha mãe, não sei o bastante para manter um trabalho além de um estágio e não tenho prática o bastante para tirar 10,0 e passar direto em cálculo numérico. Talvez o melhor mesmo fosse morrer, ou então nunca ter nascido. Foi um erro meu pai e minha mãe se casarem, eles nem sequer são compatíveis. A união deles só me causa desgosto e mágoa. Eu preferia nunca ter tido o desprazer de estar aqui.
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